quinta-feira, 1 de maio de 2014

PRESENTE

PRESENTE

Pelo meu corpo ainda escorrem
beijos de estrelas pelas pedras dos Rios
A noite de veludo me traz recordações
do que vivi apenas em sensações trazidas pelo vento
ou pelo sentimento de um desejo.

Pega meu coração, leva contigo
Pra onde fores, como substância abstrata
Mas lembra;
tudo que vibra produz som
O que é invisível também é tocavel
A materia dos sonhos também é real.

E SE NÃO FOR, POUCO ME IMPORTA,
A vida só pulsa quando se nutre.

Estamos aqui de passagem aproveite a aventura da vida.
Entre no fogo, queime, deixa queimar…
Que tudo que traga pulsação, movimento
energia, alegria seja seu presente sempre.

Tudo é volátil, efêmero, como nuvens que se recriam em desenhos,
Prá logo depois se desmancharem.
Assim são nossos pensamentos…
Passam, como um véu se descortina abrindo caminho pra profundidade.

Ainda assim,
O que aconteceria entre nós,
Se por acaso um dia nossos olhos se encontrarem?

Esquece. Pega esse coração e voa pelas estrelas, pelas dunas brancas,
por onde for
Vive sua vida como um grande presente
Ela nada é além disso.
Só no momento presente está a pulsação…
foi só isto que aprendi e já me basta.

Por sob esse mistério de energias que transcendem o espaço vamos brincando.
Só porque é para isso que estamos aqui.
Um beijo voa pelos ares para alegrar a chama do espírito.
O presente é o agora. Aproveita!

[Com Viveka. *]

* DISCERNIMENTO, EM SASKRITAM

Texto e desenho; Luciana Rennó
Desenho;ecoline , bico de pena e folha de prata sob canson

sexta-feira, 22 de março de 2013

ANJO ACROBATA

Sim.
Havia nuvens de desejo se insuando ;
como a maré , espumas, perólas,
escarlates, estrelas e a volúpia; o giro, a cor vermelho, o tinto

E havia a luz da transparência,
Leveza , luz e transparência;
Como cristal; diamantes, sereias;

Explodindo a dimensão do sentimento,
Sereias encantam por vocação, espalhando nuvens de desejo
pelas areias do mar.

Ela quer TRAPÉZIO, e um anjo acrobata
A imagem dele voando alado

Homem,/ anjo/ cavalo
_” Deixem as nuvens se evaporarem”.
Evaporar os desejos.

E SÓ SER ....

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Foi Sonho?              
                                       ( Homãpani )

                              Como num sonho,
                              Ritual de Pajés
                                                   Ashaninkas

                             e o cheiro forte da baunilha,
                                              que só eu sentia
                                                  Aywaskar....

                           Fogo,
                                  círculo,
                            calor....
                                             O inverno lá fora,
                      e eu nada via do que esperava ver...

                      Mas meu coração se abria, e era amor...
                     nada mais acontecia, só amor,...expansão do amor

                     E veio em sonho...
                     Era num penhasco
                     era mar, profundidade, pedras

                E a serpente branca
                                    xispando como fogo,
              voando de pedra em pedra.

                Alguém me pega, vamos nos esconder
             mas a serpente branca do oceano de leite saltou,
                  penetrou no meu coração

                        E eu, acordei,
                             meu corpo inteiro tremia
                  Tremeluzia,
                                    serpenteava
                          E não parava

                          Era sonho,
                                     Aywaskar
                Cura de pajés ou imaginação?
                Não me importa saber, apenas sentir...    

sábado, 4 de agosto de 2012

"MAGIA É VIDA. VIDA É MAGIA"




Imaginário. Movimentos que se transmutam, dança música, era uma festa, talvez. E foi quando começou uma conversa meio estranha, ela percebia na sua intenção sorrisos, palavras sedução. –Isso conheço bem. Não vai me seduzir com magia, use seu próprio poder. _ Falou a mulher.

Papo estranho, eu olhei de relance fingindo que não ouvia, como uma exploradora de palavras, cenas, observava para ver onde aquilo iria chegar.
Ele, sorrisos, transparência, rara beleza. Eu olhando. - E o que é magia para você? Perguntou aquele homem tão diferente, algo nele me fazia prestar atenção á tudo que acontecia, quase como se eu participasse da cena.
A mulher bebeu toda taça de champanhe, muito seria olhando nos olhos dele, respondeu: - Para mim a única magia é amor, porque é a única coisa que pode nos transformar. Magia não é também transmutar? Então, amor, e só.

Ele sorria escancaradamente, eu sentia que naquele sorriso a magia não seria necessária para enfeitiçar mulher alguma, mas... Eu era apenas a observadora. Quem sabe um dia aquilo serviria para abastecer algum pedaço de mim?

_Não, e gargalhou profundamente, ele, o homem; e disse: - Magia é vida.  Vida é magia.


Muito tempo se passou desde que ouvi esta conversa, e agora me pego lembrando cada olhar, que não era para mim, cada palavra. E agora entendo. Talvez por que na ausência ou possibilidade dele não estar mais aqui, ele, o outro, de tudo se esvair, como é da magia da vida que as coisas se esvaiam se dilua evaporem e não mais sorrisos não mais conversas nunca mais silêncios plenos nunca mais talvez os brancos o mistério o que ele me revelava só em ser.

A gente só sabe que  vida é magia quando a vida fica por um triz.


PH;; IPOJUCAN





LIVRO DE CABECEIRA



Se as palavras não fossem forjadas como espadas, no aço do silêncio absoluto, já não me interessavam mais.
 Não havia em mim, em você, nos lugares subterrâneos dos encontros entre /- - - - Nada que ousasse silenciar o abstrato das sensações. 

Não havia cores formas delírios signos que dessem conta da densidade de meus maremotos.
Eu existia mutante entre a mulher, a dançarina a artista. Foi quando me lembrei.
Mais já era tarde muito vinho A LUA A PELE, PAPEL, PERGAMINHO,
Um dia volto e quem sabe, .....

IMAGEM; PILOW BOOK

terça-feira, 8 de maio de 2012

É O MOMENTO DAS HISTÓRIAS SONHADAS......



Assim, pensando no poder da linguagem, fui levada ao mundo das histórias, mitos, das histórias que são contadas verbalmente á noite. Na figura da avó. Histórias que me foram repetidas e sempre ouvidas com assombro, interesse, cumplicidade. As mesmas que já adulta leria suas interpretações, seu lado simbólico.


E o que são as histórias? Um poder de transformação que nos chega pelo som [quando contadas], som que é um conjunto de letras, formando palavras, frases, parágrafos, e, assim construindo um universo mítico onde as crianças são levadas pela magia, á reorganizar seu micro cosmo, expandindo sua consciência, recriando seu espaço interno, ou simplesmente podendo sonhar. As palavras têm o poder de evocar imagens, [isto é nítido em um livro bem escrito], assim, podemos afirmar que palavras, sons, criam também imagens. Cientistas já provaram isso, como nas experiências com água e som, mas por que nós não desenvolvemos o poder de confiar? A confiança faz parte também neste processo, [por ex...quem conta a história?]sim, mas isso já é outra história.


Acredito muito no poder também da nutrição; para sermos saudavelmente criativos [e isso não implica em ser artista, por que podemos ser criativos em qualquer setor da vida], precisamos de suficiente nutrição. Assim, devemos nos dar ao luxo de escolher boas companhias, aquelas que nos estimulam , boas leituras, ver coisas que nos iluminam. Nossos sentidos vibram quando é abastecido, nosso ser pulsa quando prova um novo sabor.


 Fazer a mesma coisa de um jeito diferente, usar a palavra como flecha, não para ferir, mas voar com ela.
pintura: Gauguin


sexta-feira, 20 de abril de 2012

ÓPIO



Acordou meio trôpega no meio da noite. “Se até os guerreiros estão cansados e entregando a mãe terra”...sonhara ou teria lido isso em algum lugar?
 Coisas voltam no meio da noite, embaralhadas, mas voltam.
CAMPOS DE PAPOULA!Pensou. Começou a arrumar as malas, algumas poucas roupas, mas para aonde ia? Afeganistão, Síria, Damasco, Marrakesh, [cheiro de açafrão, alcorão?], sonhava com casas de ópio onde pudesse fumar ópio até esquecer.

Não. –Pensou. Não quero esquecer, quero sonhar. A vida é sonho ,é e  é pelo sonho que vamos. Até onde nos permitirmos. Ópio para sonhar?

No oráculo pesquisou ópio, comprou o bilhete, só de ida- Certas viagens não têm retorno, ela sabia.
Precisava do sonho de poder voltar á sonhar.
Check in.

ACORDEI. BOM DIA. [6/3/2012]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Trecho de "Ele era o mar/" MERGULHE NA CONSUMAÇÃO DO AMOR'



SIM. Se existirem enigmas em sonhos, seriam revelados, lentamente. 
Ou não- Pensou. Porque quase tudo tinha que ser entendido?
Prefiro as cores que esvoaçam, criando linhas, abrindo espaços, rasgando o suposto mistério, o que queima a pele que implora por mais.
-Delirios, jasmins, territórios explorados quase á exaustão, e nunca a imagem revelada.
Sim, existirão palavras criando subterfúgios para o imaginário.

Tudo que é criado parte de uma intenção - Será mesmo?_ Letícia se perguntava, naqueles momentos intermináveis que faziam parte de seu dia .
Lá longe, as cores do dia que se esvaia revelava mais.
Ver no outro um reflexo de si mesmo. Reconhecer em seus labirintos o mundo subterrâneo representado pela espiral. Ah! Lembrou_Mesmo sem saber, era isso que eu pintava?

" MERGULHE NA CONSUMAÇÃO DO AMOR' 
Lembrou de uma antiga lenda da Polinésia. Hina, a mulher que vivia no reino abaixo do mar, e percorreu tantos mundos na busca do amor, completamente desavergonhada, procurando a satisfação do desejo.
Nos mitos, a história de cada mulher . Ou da história que deveria reinar a vida dos seres.
Barcos, chegadas, partidas.
Tantas lembranças embarcando seus pensamentos, que Shakespeare logo surgiu:

‘ A substância de que somos feitos é igual à dos sonhos e entre um sono e outro decorre nossa curta vida”.


Era maio de 2010
           

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

É preciso despertar ; acordem!!!


Os homens sonham sonhos recriados de mitos de seus antepassados. Não acreditam em lendas, fábulas, desertos, mitos, nem em mantos tecidos pela teia da vida. E por não os saberem, tudo se repete.

Ulisses, Teseu, Dédalo. E ela desmanchando na noite de veludo negro, onde só os ventos ouviam seu silêncio, o que havia tecido de dia. Criação, destruição, Transformação. Alquimia, essência da vida, ritual de doação subterfúgio ou desígnio.  [Não me importa.]

 Tantos homens sonhando em serem heróis, caçadores, guerreiros. Mas é ela, a Ariadne em cada uma de nós, mulheres, que tem o fio para trazer de volta de nossos próprios labirintos. Quanto á mim, escolhi uma vida de amar, e aprendi que para ser pleno, teria que amar primeiro o Minotauro que habita em mim. Nenhuma invasão, nenhum herói, nem reis, rainhas ou príncipes. Apenas a vida que eu agüentasse.

Destinos, oráculos, sereias, a verdade é que na pressa se perde o compasso. Para se dançar primeiro temos que aprender a sentir nossa respiração o toque de tambor de nossos corações, transcender o corpo e ser pluma, pássaro e estrela, e entregar á terra a dança as cores os gestos; Ser movimento.


E “o universo grita, esperando o homem acordar de seu sonho ancestral. “


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NAS CAVERNAS.


Procuro na memória palavras, algo que possa simbolizar traduzir algo, mas tudo que me surgem são imagens.
Lantejoulas, bijuterias, órbitas dos planetas, mulheres adornadas com pedrarias sobre os seios nus. Uma festa que nunca tem fim.
FESTA DOS SENTIDOS.
Ainda que durma, algo sempre permanece desperto, habitando em mim como cores, signos que nada revelam, mas eu sei, nesse império são eles que comandam. Penso como seria dormir sem qualquer órgão dos sentidos pulsando, sem no meio da noite acontecerem festas sobressaltando, despertando as sensações.

Há mil rios em mim, bifurcações que levam á vales, montanhas, de vez em quando nado em algum desvio, ou um afluente de tantas águas que fazem parte de tudo que me transformei.
É sonho quando estou acordada e incorporo, ainda em devaneio, pedaços recortados de outras mulhereres?
NÃO.  Não basta a palavra para criar sentido. Mais fácil com ela criar ilusão. Moldá-la, forjá-la no fogo da criação, dar lhe vida. E depois, espalhá-la pelos quintais, onde ainda houver um, orvalhada, brilhando ao relento e viver a invenção de seu sentido, qualquer que seja, ainda que por pura brincadeira.
Sim, houve festa. Sempre haverá quando nossos espíritos forem livres.E música, diamantes espalhados ao acaso pelos cantos, gente que ainda ousa rir, gargalhar sem querer formar com palavras frases sem sentido, invocar os filósofos para justificar sua profunda ignorância quanto á si mesmo. Elas querem somente o fogo aceso das cavernas de nossos antepassados, o sangue quente dos animais caçados servido, bebido como raro licor.

Embebeda-lhes o passado, os desenhos surgindo pelo corpo como tatuagem, estranhamente. Pulsa em seus corpos as batidas de tambor de seus ancestrais. O ritmo das celebrações do Paleolítico, quando ainda eram guerreiros á caça de carne. E o cheiro de carne entranha na memória. Transpassa as imagens.
 _ Ainda eram guerreiros? Para, pensando por um breve momento. {Será que devo?} E agora?
- O que somos o que restou de nosso passado humano? Nomeamos, rotulamos, matamos sem ter fome, e ainda assim somos aqueles que no escuro da noite precisamos  de alguém que nos ouça, que nos envolva em seus corpos para talvez esquecer os séculos que carregamos sem conseguir apreender  nenhum sentido, ou sentimento , e assim, o melhor é deixar se levar pelo corpo, esquecer ainda que por brevidade, um leve instante no tempo,  junto com outro corpo, ser pulsação, e voltar as cavernas do inconsciente e ter de novo  o poder de ser.

sábado, 17 de dezembro de 2011


Em gestos de pura prata
e o opala que iluminava os dias,
refletia a luz incontida nos olhos....

 Por que ainda era amor,
desconcertava as multidões,
como pequenos escândalos
aconteciam em plena rua, na esquina;

gargalhadas que se ampliavam,
destacando o contentamento que o fogo da noite trazia.
Mas, as coisas se evaporam,
                             se desmancham
( mas não eram amoras, tâmaras, fruit de la passion, e ainda morangos?)

Era, mas já não importava.
Por que tu tomarias um rumo,
e a estrela distante por milhares de anos luz,
se perderia na nebulosa.

Não, não era a questão do tempo.
Foi pelas impossibilidades,... E eu não aprendi essa lição.
Então, me despetalo em pétalas de rosa e ouro.

Muitos viajantes contemplaram o opala de fogo que ainda luzia no meu dedo.
Tinha também turquesa, rubi, topázio imperial, mas nada refletiria seus olhos.
Eu não saberia o brilho que eles teriam.

O percurso é o mais importante. Só porque não existe aonde chegar.
O lugar de chegada já está aqui.
 O coração.
Luas de espelho refletem a essência. E isso já basta.

Pelos caminhos, estou partindo...
 A areia dos sonhos nos lembra que tudo é puro enigma á se desmanchar pelas águas dos sentimentos submersos.
 E Netuno me leva
                     [  pras profundezas, sempre, uma vez mais...

imagem: "E foi no  outono/  90cm x145 cm
                                             

sexta-feira, 24 de junho de 2011




Noite. Eu envolta em luares recortados de outras paisagens.
Transcrevo no imaginário movimentos, linhas, curvas, prata e escarlate.

Crio imagens,
Mordo cores,
Devoro as linhas do meu desenho.

É noite. Todos dormem.
A forma quer ser recriada.
As palavras se insinuam.
Todos roubam meu sonho.

De meus braços já fiz flecha.
Gosto de percorrer espaços disparada no arco, ser quem dispara e ser a flecha.

[trecho de Ele era o mar/ L. Rennó] na pele de Leticia/ é ela quem fala.

sábado, 11 de junho de 2011

Luz



                                     

Procurei no mar, que era onde sempre encontrava.
subi os mais altos morros, não o avistei.

Exausta, nesse corpo efêmero,
inclinei-me além da beleza que buscava comtemplar.

Foi quando o vi.

Refletido em meu rosto, reluzia em dourado
e era tanta luz, que eu soube naquele instante,
que dentro de mim havia forças inesgotáveis.

O que buscava em caminhos tão distantes,
refletia de dentro de mim...

O brilho da minha própria luz.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"ELA".....





................................................Flutuando etérea e densa pelos ares, ela estava presente quando as nuvens se formaram. Quando as águas se aqueceram, era ela, que com a espada de fogo do conhecimento, e com a flecha da palavra, aqueceu os lagos, mares e rios.

Ela é a indestrutível força criadora manifesta em cada uma de nós, mulheres que ousamos penetrar no mistério do ser.
Por vezes, surgia montada num terrível leão, e toda uma legião de bravos guerreiros se reuniram para tentar exterminar aquela, que apesar da beleza não revelada, fazia apenas o que seu instinto de mulher desejava. 

Sim, a imagem do sublime era o que ela revelava e talvez por isso tenha sido tão combatida.
Ao ser atacada, com a rotação do tempo a seu dispor, dilacerou as cabeças dos guerreiros, que estavam absortos em conquistas, pensamentos de poder, o que só os deixavam mais vulneráveis. 
 SOBREVIVEU AOS MILÊNIOS  em oferecimento para lutar ao lado do Senhor da sabedoria. Ela conhece a lei da causa e efeito, e todos os Deuses a reverenciam em seus diversos nomes. 
Ela é o desejo de união,
A energia á que tudo penetra.
A destruidora da paixão e da ira.

     Ela é cada uma de nós, em cada etapa do mundo, e se a cidade que seus ancestrais protegeram em tempos passados agora se foi...ela irá reinventar com o poder da destruição e da criação novos mundos. .................................................................................................................................................................................
Certas histórias trazem em si paradoxos. E, se não vivermos os paradoxos, ainda que em histórias recriadas, tudo fica sem sabor [rasa]. De onde teria surgido a estirpe de um ser para nós tão estranho?

obs: 1 das partes  de um texto escrito c; uma amiga.







sábado, 30 de abril de 2011

Ele era o mar [ uma parte qualquer]


.............................Fazia tempo que algo vindo de um espaço não identificado a fazia submergir em seus devaneios.
Ou talvez ela soubesse exatamente da onde vinham, mas a vida prosseguia em seu ritmo, a falta de ritmo também era ritmo ali.
“Havia lido uma frase com a qual se identificara toda sua vida, onde os personagens conversavam sobre o amor:...” você o ama com o corpo? ...Então pode ficar com ele.”
Sempre acreditara nisso,... “Perto do coração selvagem” relerá aquele livro tantas vezes.
E, agora, [olhos marejados pela água das emoções, ha., normal, - pensou]... Começava á duvidar daquela verdade que servia de suporte á sua vida.
Construir, destruir, reconstruir... Coisas básicas... Não, podia se dar ao luxo de não pensar no que era básico.
Sentimentos sim, cores, formas recortes, criação, movimentos se diluindo vibração. Pulsação. Era isso que a fazia viva. O seu básico era outro.
Ta... Mas , é só com o corpo que se ama ? E na distancia, na ausência prolongada, o que era aquilo que a queimava por dentro...

O amor pode sim ser de tantas formas. Pode? Mas em sua plenitude ele não deveria ser vivido totalmente? Letícia se perguntava coisas que podem soar bobas, mas pra quem está longe de quem ama, e lá longe, os sentimentos pareciam se multiplicar, porque na ausência você chega ao espaço do vazio.

Mergulhar, ele está mergulhando... Em algum lugar do mundo aquele homem que a derretia e todas as implicações que isso trazia. Mergulhando- tornou á repetir para si mesma.
Hahahahaha..quem falou que  se as coisas se resolvem com o tempo? Quem falou que transmuta o desejo em outra coisa? Quem? Em que?
O sol, o fogo, o fogo repetiu para si mesma... Coisas que me acolhem. Mas é mais simples aceitar sim        sim, existe um espaço e ele é sagrado onde se ama da forma que é possível, na distancia também se ama sim...e mesmo que tivesse que ir em pensamentos iria lá visita-lo,  no espaço do coração.

A falta de sentido, o que ñ se pode resolver pq está além dos seus ...sei lá o que, é aceitação, amar em devaneios, amar em silêncio, e, pelo dom que trazia consigo, ainda transformar isso em arte.
Haha, mais um desafio, ainda por cima ela mesma tinha essa pretensão... Transformar o não vivido em metáforas, cores, esculturas, desenhos, Fênix, serpentes, oceanos   linhas rabiscos rasgar tudo e febre    febre sempre, normal.

 “O amor é inexplicável.”


Bateu á porta, o sol... E tantas coisas deixadas de novo para mais tarde.

segunda-feira, 14 de março de 2011





E o que eramos, transbordava pelas frestas. Nas transparências projetadas, era o âmbar rasgando tudo com o poder da cor. Era líquido e era gasoso, era lugar algum era sem tempo, coisas tão maiores que o normal que eu não ousava me mover. Parada, sentia o vento quase cortando minha pele, palavras não havia para exprimir o momento e o silêncio era tão forte que por um momento achei estar sendo jogada num outro tempo. Outra dimensão inusitada, talvez, onde cores translúcidas pudessem exprimir meu sentimento e revelar meu lado escondido..................

tela: "Dança comigo"? 90cm X 144 cm

domingo, 27 de fevereiro de 2011

PRIMEIRO ERA O AMOR [ ultima parte ]




................................................. Eu gosto de tudo que quando faz atrito gera calor.
Falta de pontuação  exclamação  virgula , e daí, se o mundo gira tudo gira numa velocidade que já não podemos mas ainda assim , alguns ainda tentam acompanhar eu não      deixo meu próprio ritmo me levar que não fui feita para seguir a ultima novidade em cosméticos e pouco me importa a novidade tecnológica feita para separar ainda mais que unir.
Á beira das fogueiras sim, com o calor a evaporar todos os venenos que poderiam restar, a esquentar cada parte de dentro de mim, e é ali mesmo que eu quero e quando quero quero agora   mas estou aqui no computador escrevendo e onde quero estar é só artifício e eu sei disso também.

Não, mas não estou me enganando porque estive lá e lá meu pensamento me leva cada vez que se faz necessário       vertigem       eu despencando mais uma vez     hahahaha   se machucar faz parte meu bem, porque sou de carne e osso  não sou de matéria sonhada  os prótons elétrons as moléculas a física quântica que se danem   não procuro sentido fora de mim e sim dentro.
 Mas ainda assim, e só por que era amor, reverencio aos Deuses que me permitem ainda saltar  dançar criar   recriar   entrar no fogo  incendiar
me queimar  e sempre     sempre amar.
Agradeço ao Deus Tempo por me permitir sempre recomeçar com alegria
E por ter aprendido ser o paradoxo o mistério maior isto me aquece por dentro e mesmo quando a febre do desejo se abranda eu enlouqueço e recomeço tudo de novo.
Foi assim que a vida me ensinou, e ... o que é da essência não se transmuta, só se agrava.

Só tenho  que agradecer sempre tantos presentes que meu corpo me dá.
E , quando nada restar, ahhh, o amor em forma de pássaros ou nuvens sobrevoando desertos      imensidões, por que isso ninguém tira  o amor que é nosso     é nosso    é destino  e é para brilhar como brilham as fogueiras onde sempre me reencontro no mais fundo de mim.